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  • viktor 14/02/2007 10:03 PM Permalink | Responder
    Tags: , , finnegans   

    Grid sem volta

    Eu sujeito da serra da Mantiqueira sujeito à moto-serra do Cerrado descobri só há pouco que não nasci para estradas de curvas verticais. Jamais enjoei em vai-para-lá-vem-para-cás de estradas sinuosas e semicerradas mas me desamparei quando apercebi a lonjura das estradas retas. Quem foi que disse que a menor distância entre dois tontos é uma reta? Pois que não seja. Estradas que são retas têm curvas verticais ondulações que não acabam mais. Enjoei sem parar em uma viagem de dez-oito horas. Mas fui recompensado. Fui recompensado já que não sou madeira-de-lei. Quase não chorei. Enjoei. Enjoei.

    É como se as estradas curvas fossem os sulcos e as retas tivessem de atravessar um ponto de capitonê. Eu sujeito à praia e às intempéries da vida não sustento e nem me sujeito aos muçurungos do horizonte vazio aquele vazio que congela a alma e dá dó no espírito. Enxergar como se nada visse por perto é como falar longe do mudo. Do mundo. Muçurungo.

    País de longas não-estradas e de comunidades inteiras sem estrados nem tetos nem foices para ceifar a porcaria da colheita de arrozes que margeia cada uma das praias desse asfalto alto e sem fim. Eu que sou garoto do eixo nunca me dignifico às distâncias longínquas e famélicas que ultrapassem a classe média e minha mediocridade. Não sou nem classe longe nem classe perto. Sou não-certo um fêmeo desperto. Um efêmero berta que começa a disparar finneganices desde que lhe piraram o cabeção. É a foice do Joyce. Mania de não ser se não for pra ser ex-peri-mentalidade. Uma porra de cada livro que leio me influencia torrencialmente sou uma puta da literatura com a vantagem de não ter que dar. Ou será que dou?

    Cada curva que o ônibus não faz é um ar que não respiro. Um brifo que me exala. Uma pira. Um piro. Cada falo que tu pensas é um não-refletir sobre o que digo é um panorama infindável de trigo um sexo com teu umbigo. Pode parecer lugar-comum mas não sei mais falar sem esquisitices sem finneganices acho que desaprendi a escrever e não sei mais ser modesto. Pode parecer lugar-comum mais não é comum e é não-lugar. Escrever passa a ser não me alugar por curva nenhuma. E agora pausa para o vômito.

     
    • Jennifer-Tool

      Jennifer-Tool 5:15 em 23 23UTC outubro 23UTC 2009 Permalink

      Aprendi muito

  • viktor 31/01/2007 9:47 PM Permalink | Responder
    Tags: erro, finnegans   

    Uh Erro (cúmplices e reféns)

    Kwando eu tinha lá meus quinze para dezessóis, no auge da ninha garotude, ajudei coleguinhas de escola acrearmos uma escala de feiume pras meninas nãobonitas da escola. Nós nos saímos com o Erro (finn-706067). O Erro folha escala máxima de feiume que pudíamos arranjar. Erra mas mais Erro kwanto mais erro fosse. Ah sim criamos na escola escala para medida hesata e preci(o)sa do kwão errosa foice a menina. Erro.

    O nombre da escala retirávamos do apê lido duma das meninas da escola. Não foi da nossaturma mas foi doutra. Erra sempre menina que paquerava camaradanosso, o Boquinha. Boquinha tratou de apê lidar com a menina. Ele saiu com o Erro. Disse que a feitude dela erra deslascar. O nombre logo pegou de jeto. Erro pra lá. Erro pra k.

    Daí que passa(r) (do) tempo Erro foi saindo medida (ari)tmétrica. Foi preci(o)so criar escala desce mal. Saímos com 0,1 Erro 0,2 Erro 0,5 Erro. Erro inteiro. 10 Erro. Quinze. Dezessóis. Um kiloErro. Gente dizia ter visto ômegaErro. Giga. Fôramos obrigados annintervir. Um giga erra demais. Só medida erra Erro erra por causa do feiume do Erro. Não podia-se a ver Erro maior que Erro. Não erra possível. Então instituímos que o Erro equivalia aum teraErro, e ficoice ah sim. O Erro que paquerava camaradanosso Boquinha mais-valia um teraErro, medida máxima de Erro. Mas medida máxima de Erro e tão bem medida mini má, porque um Erro erra ela. Então criouce e crioule o pára-doxa. Erra erro kwanto mais erro erra? Erra uma vez…

     
    • Shirley

      Shirley 17:20 em 8 08UTC fevereiro 08UTC 2007 Permalink

      Seu texto lembra, na grafia e só nisso, os de alguns alunos meus, se me permitir gostaria de levar até eles seu texto, devidamente autorizado, pra trabalhar em sala de aula, gostei de te ler, vc é bom nisso!

    • viktor 17:54 em 8 08UTC fevereiro 08UTC 2007 Permalink

      Oi, Shirley. Muito obrigado pelos comentários elogiosos. Vou tentando, mas ainda falta muito para ser bom. :)

      Você está, claro, devidamente autorizada a usar tudo o que estiver aqui em sala de aula. Fique à vontade. E volte sempre! :)

    • Shirley

      Shirley 17:54 em 8 08UTC fevereiro 08UTC 2007 Permalink

      Oi, Shirley. Muito obrigado pelos comentários elogiosos. Vou tentando, mas ainda falta muito para ser bom. :)

      Você está, claro, devidamente autorizada a usar tudo o que estiver aqui em sala de aula. Fique à vontade. E volte sempre! :)

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